"A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original". (Albert Einstein)


sábado, 24 de julho de 2010

O TEATRO DO ABSURDO

       Neste post, vou comentar sobre um filme que adoro, por dois motivos: Primeiro porque na minha opinião tem TUDO a ver com o que vem a ser o teatro do absurdo, sobre o que explicarei aqui rapidamente, e segundo porque está completamente relacionado com todos os posts anteriores, aqui escritos.  
             O "Teatro do Absurdo" surgiu no final dos anos 40, e teve como influência o existencialismo. Ele está preocupado em mostrar a falta de sentido da vida. O que se espera é que o público não apenas assista à peça, mas reaja a ela. Não era objetivo deste teatro fazer um discurso de defesa sobre o "sentido da vida", mas fazer o público refletir sobre uma vida mais verdadeira, mais essêncial. O homem é representado como é, mas quando você leva para o palco situações corriqueiras, como as que acontecem num banheiro, por exemplo, o público acaba rindo. Este riso pode ser entendido como um mecanismo de defesa contra o fato de as pessoas se verem representadas num palco. Mas o "Teatro do Absurdo" também pode ter traços do surrealismo, que explora os sentimentos humanos, tecendo críticas a sociedade e difundindo uma idéia pessoal daquilo que não se vê e não se sente. Os filmes mudos de Charlie Chaplin, como exemplo, tem um elemento cômico que é justamente a falta de surpresa de Carlitos ao encarar situações absurdas. O público ri do que vê, mas acaba ficando cismado com sua própria capacidade de se surpreender com as coisas e de reagir a elas.
Adicionar legenda
          O filme "O Show de Truman", show da vida,  tem como princípio uma crítica aos excessos da mídia, e aos reality shows que vêm se tornando uma febre em todo o mundo. Mas, acredito, toda a  essência do roteiro está justamente nessa idéia do "Teatro do  Absurdo". Truman (Jim Carrey) que em inglês significa 'homem verdadeiro' teve toda a sua vida (30 anos) controlada pelos outros,  sem o seu conhecimento. Em especial pelo diretor de toda a sua trajetória no filme, Christof  (Ed Harris) que em inglês significa o portador de Cristo. Trumam foi inserido numa sociedade pronta, editada. Vive em uma pacata cidade litorânea chamada Seahaven (mar do refúgio), tem um pacato emprego, e vive um casamento igualmente pacato. Foi-se deixando levar pela causalidade. Mas se você questionar; Mas como assim, por que ele nunca saiu de lá, dessa vida pacata? A resposta é simples, ele foi condicionado a permanecer lá o tempo inteiro, e pra isso usaram o método de Skinner, aquele de ER (estímulo negativo, positivo, resposta), o do ratinho que empurra a alavanca para se alimentar. No filme o diretor simulou a morte de seu pai, que teria se afogado, no que ele desenvolveu na infância uma fobia do mar, e essa seria a única maneira de sair da ilha em que morava, atravessando de barco (nome do barco; Santa Maria). Sonhava conhecer as Ilhas Fiji, mas era sempre desestimulado (estímulo/reforço negativo) por sua mãe, esposa, alguns amigos e pela sua fobia. Trumam passa 30 anos de sua vida literalmente dentro de uma "gigante caixa de Skinner". Do outro lado das cinco mil camêras que o vigiam, está o público que se emociona, se diverte e sobretudo, de forma inconsciente, se identifica com Truman. E esta falta de sentido na vida de Trumam também está presente na vida do público, por isso eles se dedicam tanto a vida dele, e não percebem que tanto eles quanto Trumam são produtos de uma sociedade manipuladora. Esta nova sociedade, a do consumismo, do egoísmo, do ter e não ser é a realidade de uma geração sem valores, sem ética, por isso Truman é o único "homem verdadeiro'" em meio a todo este cenário. Felizmente Truman  esbarra com seu pai  (ele mesmo, o que morreu afogado!) nesse cenário, e Christofer tenta desesperadamente consertar o imprevisto. Em meio a todos os conflitos gerados por esse episódio, Truman se vale da razão para procurar entender o que está acontecendo e começam a surgir vários flashbacks de sua vida, num deles a memória de uma grande e inesquecível paixão na adolescência, Silvya (latim;da floresta, da selva. Aquela que revela paixão pela vida e a vontade de assumir tudo que contribua para aumentar a  felicidade humana.) figura que sem sucesso tentou alertá-lo na época. E começa a entender aquele sensação de estar sendo observado. Neste momento Trumam desperta para a realidade e descobre que tudo a sua volta é mentira, que vive dentro de um cenário,  é objeto de um jogo de interesses, até mesmo aquele mar era cenográfico. E o que causa espanto é a reação, ou não-reação do público diante de tudo o que Truman perdeu nesses 30 anos. Christofer tenta persuadi-lo a ficar, mas ele faz uso de seu "livre-arbítrio" de forma brilhante, despedindo-se daquele cenário e usando como porta de saída aquele mar que sempre lhe causou tanto medo, e que nunca existiu, em busca da sua verdade subjetiva a qual todos nós temos direito.

       E você, já assistiu esse filme?Não?Que absurdo!! rsrs
       Essa mesma linha de raciocinio, você também encontrará em Admirável Mundo Novo, Alice no País das Maravilhas, Matrix,     A Metamorfose (Franz Kafka),  O Estrangeiro (Albert Camus), O Alienista (Machado de Assis) entre outros, perceberá neles toda uma realidade subentendida. ;)

Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir