"Age apenas segundo aquelas máximas através das quais possas, ao mesmo tempo, querer que elas se transformem numa lei geral". Immanuel Kant, um importante filósofo da razão e da emoção, acreditava que a humanidade se dividia em duas partes. Enquanto seres sensíveis, estamos absolutamente entregues às imutaveis leis da causalidade. Não decidimos o que sentimos: os sentimentos e sensações aparecem forçosamente e nos marcam, queiramos ou não. Mas o homem não é apenas um ser dotado de sentidos. Ele é também um ser dotado de razão. Enquanto seres dotados de sentidos, pertencemos inteiramente à ordem da natureza; por consequência, também estamos sujeitos à lei da causalidade. Desse ponto de vista, não possuimos livre-árbitrio. Como seres dotados de razão, porém, também temos em nós uma parte do mundo "em si', ou seja, do mundo que existe independentemente de nossos sentidos. Somente quando seguimos nossa "razão prática", que nos habilita a fazer uma escolha moral, é que possuímos livre-arbítrio. Isto porque ao nos curvarmos à lei moral somos nós mesmos que estamos determinando a lei que vai nos governar. A capacidade de distinguir entre certo e o errado é tão inata quanto todas as outras propriedades da razão. Todas as pessoas entendem os acontecimentos do mundo como causados por alguma coisa e todos têm também acesso à mesma lei moral universal. Esta lei moral tem a mesma e absoluta validade das leis do mundo. Ela é tão basilar para a nossa vida moral quanto é fundamental para a nossa razão o fato de que tudo possui uma causa, ou de que sete mais cinco é doze. Esta lei moral é anterior a toda e qualquer experiência, ela é "formal". Isto significa que ela não está ligada a um grupo específico de opções na esfera moral. Ela vale para todas as pessoas, em todas as sociedades, em todos os tempos. Ela não diz, o que você deve fazer nesta ou naquela situação. Ela diz como você deve se comportar em todas as situações. Mas se você exercer simpátia e docilidade para com outros apenas para se tornar querida(o) das pessoas, então você não está agindo de acordo com a lei moral. Talvez você esteja agindo apenas supercialmente de acordo com ela, o que já é alguma coisa, mas aquilo que se pode chamar de ação moral tem de ser o resultado do "esforço em superar-se a si mesmo". Só quando você faz alguma coisa por considerar seu dever seguir a lei moral é que você pode falar de uma ação moral. Por isso é que a ética de Kant também é chamada de "ética do dever" ou "ética da atitude". Quando você decide não praticar injustiça com os outros, ainda que isto venha a ferir os seus próprios interesses, nesse momento você está agindo em liberdade. De qualquer forma, ninguém é totalmente livre e independente quando segue apenas os seus desejos. Se observarmos, encontraremos a ética, tendo como princípio moral, várias situações em nossa sociedade atual. Há vinte anos atrás, seria comum encontrar estudantes fumando em sala de aula, dez anos depois seria comum encontrar uma placa de "proibido fumar" e ainda assim alguém fumaria, hoje é um hábito completamente extinto (mesmo sem a placa) em sala de aula, e vem se ampliando à outros estabelecimentos, exemplo de que a atitude moral transformou-se em lei geral, como sugeriu Kant. Bem como os direitos humanos, as leis de trânsito, respeitar uma fila e a mais recente (espero) "ficha limpa". Todos temos ética, e até os políticos corruptos têm o princípio da não-ética, mas ela existe. No entanto, se a ética depende do seu princípio moral, então é importante que VOCÊ faça a sua parte, transformando-a em lei geral. E para isso, seguir a regra do ouro: "Não faças para os outros aquilo que não desejas para ti". Entendendo que ética é "aquilo que posso e devo fazer, o que gostaria de fazer mas não devo, e o que posso fazer mas não quero". parte deste texto foi extraído do livro "O mundo de Sofia" (Jostein Gaarder) pelo qual tenho imenso respeito e admiração.
Advogado do Diabo
A Ilha
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